Por que existem tantos vegetais gigantes no Alasca?


Em Palmer, a 68 quilômetros de Anchorage no Alasca, Estados Unidos, todos os anos acontece a “Alaska State Fair“, uma feira agrícola em que alguns vegetais gigantes batem todos os recordes em tamanhos. Agricultores do vale de Matanuska-Susitna, produzem e exibem repolhos de 63 quilos, abóboras de 29 quilos e brócolis de 15 quilos e outros vegetais que são tão grandes que mal se consegue reconhece-los.

Se perguntado a especialistas de o porquê deste crescimento anormal nos legumes do Alasca, vão dizer que neste estado americano há uma maior incidência de luz solar, em torno de 20 horas diárias. Mas essa teoria, no entanto, não convence a todos, uma vez que a registros de fazendas próximas, onde uma pode produzir monstros vegetais, enquanto a outra só consegue produzir em tamanhos normais.


No Alasca normalmente o período de crescimento dos vegetais é muito curto, apenas 105 dias, em média. Para efeito de comparação, o período de crescimento na Califórnia é de cerca de 300 dias. No entanto, no Alasca não se tem longas noites, como na Califórnia. O estado está localizado perto do polo norte onde goza de até 20 horas de sol por dia, durante o verão e no pico do período de crescimento. As horas extras de luz solar permite que as culturas do Alasca se mantém crescendo mais tempo.

Mesmo o período de crescimento ser mais curto do que o resto do país, os fazendeiros do Alasca conseguem produzir alguns dos maiores vegetais do mundo. Esse extra em luz solar também torna alguns vegetais mais doce. Cenouras do Alasca, por exemplo, gastam quase 3/4 do dia, enquanto o sol está disponível na produção de açúcar, e apenas o restante 1/4 de seu tempo é gasto em transformar esse açúcar em amido. Outros vegetais como repolho, brócolis, couve-flor, couve de bruxelas, rabanetes, nabos, batatas, beterraba, cenoura, espinafre, alface e outros crescem muito bem no Alasca.


A agricultura no vale de Matanuska-Susitna originalmente começou como um experimento em 1930 para aumentar a produção agrícola do país durante a Grande Depressão. Mais de 240.000 acres foram reservados para a agricultura às famílias de Minnesota, Wisconsin e Michigan que foram trazidas para colonizar a terra. Mas a falta de infraestrutura e indisponibilidade de suprimentos básicos desencorajou os colonos e por volta de 1940, mais da metade da população tinha deixado o vale. Em 1965, restavam apenas 20 famílias. Embora a colônia não foi um sucesso, ela se tornou estável o suficiente para fornecer pastagens e agricultura para a região. Mesmo sem um aumento significativo na população, o vale de Matanuska não deixou de desenvolver-se como uma região agrícola produtiva. O rápido crescimento e o tamanho gigante de seus produtos hortícolas já se tornaram a marca registrada desta região.

Já por outro lado, tem a história de John Evans que nasceu na Irlanda e diz que sempre gostou de mexer com plantas. Atento às orientações de sua avó, o jovem jardineiro logo se profissionalizou e, aos oito anos, já cultivava uma flor conhecida como “Sweet William” em grande escala e as vendia aos supermercados da região de Dungarvan, onde nasceu. Com o passar do tempo, Evans começou a estudar novas técnicas de cultivo, se tornou perito no assunto e se mudou para o Alasca, onde enxergou uma excelente oportunidade de negócio.

O local não era o mais propício para o cultivo tradicional, mas foi lá que o jardineiro passou a desenvolver vegetais gigantes. Repolhos com mais de 40 quilos, cenouras com mais de oito quilos e brócolis acima de 15 quilos podiam ser facilmente encontrados em suas lavouras. Os vegetais eram tão excepcionais que Evans decidiu participar de competições e hoje detém nada menos que nove recordes mundiais, além de 18 títulos norte-americanos e mais de 400 prêmios internacionais. O segredo do sucesso ele não revela nem sob tortura. A fórmula de seu fertilizante, tampouco. Quando perguntado, sempre diz, modestamente, que seus alimentos crescem mais que os outros devido à maior incidência solar no Alasca, em torno de 21 horas diárias. Esta teoria, no entanto, não convence, uma vez que não há registro de vegetais gigantes entre seus vizinhos.


“Não existe segredo na agricultura. Eu entendo de terra e de seus nutrientes”, conta o botânico. “Estudo muito sobre o desgaste e a fertilidade do solo. Posso ver suas necessidades só de olhar. É como a alimentação humana e o metabolismo, o processo é o mesmo, por isso eu me interesso tanto. Agora estou estudando também os minerais marinhos, inclusive os microorganismos que vêm do mar. Isso pode ajudar muito no desenvolvimento das plantas. Ele diz que em sua fórmula secreta, contém micróbios do Alasca, que, segundo Evans, são capazes de revigorar qualquer solo, por mais pobre que seja. De acordo com o vendedor, o fertilizante natural é muito poderoso, e só precisa ser aplicado no início do ciclo, uma vez por safra. “Ganho muita sabedoria desenvolvendo estes produtos. É uma jornada sem fim em busca das novas informações que estão sempre surgindo. Você não pode parar, sempre tem algo novo aparecendo. A jardinagem mantém as pessoas humildes, esta é a verdadeira sabedoria”, completa Evans, de 59 anos, mais de 50 deles dedicados à agricultura.

Fonte: Magnus Mundi
Por que existem tantos vegetais gigantes no Alasca? Por que existem tantos vegetais gigantes no Alasca? Reviewed by Rômulo Silva on abril 29, 2018 Rating: 5

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